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15 de outubro de 2019
Tanto em tecnologia quanto nos negócios, a expressão dívida técnica frequentemente é usada para ilustrar o conceito de que uma organização acabará gastando mais no futuro, não abordando um problema técnico quando se apresentar.
Muito utilizada em desenvolvimento de software, mas aplicado nas demais áreas de TI, o termo “dívida técnica” foi definido por Ward Cunningham, programador americano que desenvolveu a primeira ferramenta wiki, e descreve a dívida que a equipe responsável assume quando escolhe um design ou abordagem fácil de implementar no curto prazo mas com grande impacto negativo no longo prazo.
Em algum momento, o efeito será exposto e a dívida técnica precisará ser tratada. No entanto, resolver o problema geralmente será mais complexo e caro, dadas as alterações e a evolução em que o sistema passou desde que o risco foi incorrido.
Com o passar do tempo, os esforços para resolver a dívida técnica pode se tornar um grande desafio. Eventualmente, o problema pode chegar a um ponto crítico e, em seguida, a organização deve decidir se deve ou não honrar sua dívida original e continuar investindo tempo e esforço para corrigir o problema.
Sabemos que existe, mas qual é o tamanho do problema? Veja abaixo dois exemplos de como a dívida técnica pode ser percebida no dia a dia.
De acordo com Ward Cunningham: “O perigo ocorre quando a dívida não é paga. Cada minuto gasto com falhas conhecidas conta como juros sobre essa dívida. Organizações inteiras podem ficar paradas sob o peso de uma implementação não consolidada”.
A dívida técnica se revela em diferentes tipos de custos: manutenção, suporte, jurídico, oportunidade e talento. Quanto mais tempo você demorar para pagar sua dívida, mais juros acumulará no processo.
Além disso, se uma organização optar por ignorar uma ação que sabe que deve ser feita, ou seja, assume uma dívida técnica, ela arrisca pagar por isso em termos de tempo, dinheiro e reputação, podendo comprometer a continuidade da empresa no futuro.
Como vimos, ao deixar de lado a dívida técnica, os times de TI aceleram a entrega de projetos de software, porém esse déficit pode significar retrabalho, aumento de custos e o impacto na satisfação do cliente.
Em infraestrutura de TI, esse custo está diretamente relacionado a sua defasagem técnica, que resulta em constante “combate a incêndios” e na incapacidade de implementar novos projetos rapidamente, que geralmente causam:
Na maioria das vezes, as equipes de TI nem percebem a extensão do desperdício e do ruído em seu ambiente e simplesmente assumem que isso faz parte do crescimento orgânico.
Mesmo que eles suspeitem que o lixo esteja se acumulando, é difícil alocar recursos para investigar e corrigir os problemas quando muitos outros exigem sua atenção – semelhante à maneira como sabemos que devemos nos exercitar mais e comer de maneira mais saudável, mas levamos isso a sério somente depois que visitamos o médico.
Com essa visão clara do problema, é possível pagar sua dívida técnica, você e sua empresa deve seguir basicamente 3 passos principais.
A primeira etapa é identificar o volume de dívida técnica em sua organização e priorizar o trabalho de modernização de acordo com o custo e a urgência. Uma maneira de fazer isso é através da racionalização da infraestrutura.
Isto porque, por natureza, especialmente num cenário de alta disponibilidade para os negócios, a incerteza, mudanças, prazos e pressões são a regra e não exceções como gostaríamos de acreditar.
Contudo, para saber o tamanho do déficit técnico de uma infraestrutura de TI precisamos ter uma ideia como seria ela sem dívida técnica. É necessário ter um modelo justamente daquela arquitetura tecnológica que nunca conseguimos fazer de primeira ou sem algum retrabalho. Em outras palavras é necessário um padrão de qualidade contra o qual nossa estrutura possa ser comparada.
Essencialmente, esse é um processo de três etapas para decidir quais aplicativos e ativos de TI não são mais necessários e podem ser “aposentados”, quais aplicativos foram comoditizados e podem ser migrados para uma estrutura de Software como Serviço (SaaS) e quais aplicativos mais estratégicos estão limitados e precisam se reinvestidos.
As diretrizes que definem o que é bom ou ruim devem fazer parte desta primeira etapa, além de reconhecer a existência e inevitabilidade da dívida técnica.
Essa dica parece óbvia, mas não é. Assim que um time passa a enxergar dívida técnica em um projeto a reação pode ser de tentar resolver ou reduzir o problema, mas estas ações são, quase sempre, um trabalho concorrente com o que precisa continuar a ser feito.
Isto significa que por mais que você considere importante pagar a dívida técnica, pode ser que isso não caiba no seu planejamento. Dessa forma, “simplesmente parar de tomar decisões ruins” já é uma grande evolução e, ao longo do tempo, fará a dívida diminuir proporcionalmente em relação a sua infraestrutura de TI.
Essa segunda etapa pode ser bastante difícil. Afinal, ninguém gosta de concordar que sua arquitetura tem falhas, até porque se já achasse isso antes provavelmente não o teria feito dessa forma.
Ainda assim, se há problemas de qualidade na arquitetura é importante que isso se torne claro e público para que se pare de fazer desta forma. Mesmo que a dívida técnica não seja reduzida de imediato, ações de interrupção de novas dívidas têm um poder positivo maior entre o time.
É importante durante esta fase projetar custos futuros e potencial bloqueio com cada fornecedor. Para aplicativos estratégicos e com ROI restrito, a infraestrutura precisa ser modernizada e ajustada para otimizar o desempenho.
Muitas vezes seguir a dica da etapa anterior é apenas uma questão de iniciativa e conscientização para o problema.
Porém, algumas vezes a dívida técnica é causada por fatores externos e/ou imponderáveis contra os quais a única ação a tomar é municiar os gestores, de forma clara e embasada, do risco de contrair a dívida e suas possíveis consequências.
A simples publicidade pode ajudar a evitar a dívida ou ao menos, no futuro, justificar algum gasto de recursos com seu pagamento. Afinal, o combinado não é caro nem barato e se uma notória dívida futura é parte do produto, ela também deve fazer parte do custo, sendo prevista e reconhecida desde o início.
A mitigação de futuras dívidas técnicas requer a colaboração estreita de especialistas que trabalham dentro de um modelo de governança bem definido.
Eventualmente, adotar um processo de qualidade para implantação contínua de melhorias pode ser uma meta final, mas a computação, a rede e o armazenamento devem vir em primeiro lugar.
Normalmente, uma atualização do data center, por meio de compras internas ou atualizações de fornecedores, deve ocorrer a cada três a quatro anos para que o software mais recente seja executado corretamente em hardware otimizado.
Ward Cunningham, em vídeo que explica sobre a metáfora da dívida técnica, reforça a ideia de que a dívida em si não é um problema. Na verdade, usando a comparação com dinheiro emprestado, ele sugere que o empréstimo pode ser útil para acelerar o empreendimento.
No entanto, no caso de tecnologia, é importante aproveitar o que foi aprendido através do retrabalho para que mais tarde não tenha o mesmo efeito ou não seja mais pertinente. Dessa forma, uma vez que a dívida é inevitável e algum efeito negativo pode ser esperado, talvez a melhor abordagem seja aproveitar justamente a parte positiva do “empréstimo”.
Além disso, em períodos de crise, onde a queda do investimento afeta a diferentes setores, inclusive TI, é, de certa forma, natural que ocorra o crescimento da dívida técnica nas empresas. Porém, o controle/redução desse déficit pode ser visto como a oportunidade certa para uma retomada do crescimento das organizações que passam por períodos difíceis.
Para os líderes de TI que administram uma complexa pilha de tecnologias, o cenário e crise pode parecer assustador, mas com a perspectiva correta, não precisa ser. Resista ao desejo de atualizar a tecnologia pouco a pouco.
Em vez disso, comece identificando as áreas que possuem maiores dívidas técnicas e determine quais projetos trarão o valor mais significativo, não apenas agora, mas no futuro.
A dívida técnica não é exclusiva das organizações empresariais tradicionais, mesmo as empresas de tecnologia de ponta enfrentam o desafio de equilibrar a inovação com a dívida técnica que pode ocorrer.
Às vezes, o desafio não é sair da dívida, mas garantir que você invista em iniciativas estratégicas que permitam que sua equipe siga à frente.
De acordo com uma pesquisa do IDC, as organizações estão conseguindo reduzir a sua dívida técnica na Infraestrutura de TI a medida que:
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